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Novo piano marca aporte histórico no Teatro Guaíra e inaugura temporada da OSP

Referência mundial, o novo piano Steinway & Sons é o primeiro instrumento de uma leva de nove aquisições ao patrimônio da Orquestra Sinfônica do P...

17/02/2026 às 09h22
Por: Redação Fonte: Secom Paraná
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Foto: Roberto Dziura Jr/AEN
Foto: Roberto Dziura Jr/AEN

Por três dias, a agitação usual deu lugar ao silêncio no palco do Teatro Guaíra. Foi ali que um novo piano de cauda Steinway & Sons, referência mundial entre músicos, “nasceu” para a Orquestra Sinfônica do Paraná (OSP), em um processo minucioso de montagem, regulagem e afinação que transforma madeira, metal e tensão em música.

Mesmo silencioso, o trabalho foi celebrado. Antes da afinação, que iniciou na quarta-feira (11), alguns funcionários e direção do Teatro puderam acompanhar a abertura da caixa, ajustes iniciais e ouvir até alguns acordes do instrumento.

Este é o segundo Steinway & Sons da história da OSP - uma das poucas unidades da marca “padrão-ouro” no Paraná - e o primeiro instrumento de uma leva de nove aquisições ao patrimônio da Sinfônica em 2026. O investimento histórico chega a quase R$ 6 milhões e faz parte de um aporte maior, de R$ 50 milhões, do Governo do Paraná no Teatro Guaíra.

Adquirido em outubro do ano passado junto à fábrica norte-americana da marca tradicional fundada em 1853, o Steinway passou por cerca de quatro meses entre negociação, compra, montagem e envio para o Brasil.

Antes de desembarcar no Guaíra, no dia 15 de janeiro, o piano levou cerca de um ano para ser construído, num processo em grande parte manual que envolve mais de 12 mil etapas e cerca de 450 artesãos. A união entre arte, engenharia, tradição e sonoridade únicas justificam o preço (cerca de R$ 3,5 milhões) e a preferência de 95% dos pianistas.

“É o melhor do mundo, o ‘Rolls-Royce’ dos pianos. A fábrica mantém a tradição de regulagem, mecânica e resposta dos martelos à repetição de notas, tanto que os maiores pianistas do mundo só tocam em Steinways”, resume o regente titular e diretor musical da OSP, Roberto Tibiriçá.

Aproximadamente 85% do instrumento é feito de madeira, escolhida e tratada durante anos. “A árvore é específica de países frios, além de ter só o miolo aproveitado. O cobre também é específico para soar, entre outras características que o tornam tão especial”, detalha Djalma Carvalho, técnico responsável pela montagem do piano no Guaíra.

O resultado é um timbre capaz de ir da dramaticidade extrema à leveza absoluta, com um som longo, sustentado e precisão no peso das teclas.

MONTAGEM -Diferentemente de outros instrumentos, um piano desse porte não chega “pronto”. A regulagem final, em várias etapas, faz parte de sua construção e leva em conta a acústica do Teatro Guaíra, o tipo de repertório da OSP e o uso sinfônico do instrumento.

“Ele precisa de um ajuste principalmente tímbrico de projeção, apropriado para esse local, ou seja, ele vai ser montado para essa área. É um processo longo porque são muitos itens a serem não só checados e ajustados, mas, se a gente lembrar que o piano tem 88 teclas, cada ajuste tem que ser multiplicado por esse número”, explica o técnico.

A pianista Analaura de Souza Pinto, uma das fundadoras da Orquestra Sinfônica do Paraná, foi fundamental na etapa final de montagem, testando o instrumento. Ela vem considerando o momento um presente, após completar 40 anos de OSP e prestes a fazer 70 anos de vida. O novo Steinway, que ela chama de “segundo”, será seu companheiro diário pelos próximos cinco anos, quando deve se aposentar compulsoriamente da função.

Todo esse processo fez Analaura relembrar emocionada os seus primeiros acordes, ainda criança, em um piano de brinquedo, e de não esquecer a atenção e o carinho que pretende manter com o Steinway “primeiro” que a acompanha na OSP desde 1990. Não se trata de um adeus. Após uma reforma completa, ele seguirá em uso ao lado do novo “irmão”.

“Sempre fui muito zelosa, faço questão de ver se ele está bem guardado, se não está desafinado ou precisando arrumar alguma coisa. ‘Antigo’ dá a impressão de ultrapassado e não gosto de usar essa palavra no sentido depreciativo. Porque ele é importante, vale muito. E o fato de nós termos mais um piano, não exclui esse”, diz.

Atual diretor-presidente do Teatro, Cleverson Cavalheiro também acompanhou os dois capítulos dessa história e celebrou o novo investimento que coloca o Guaíra no mesmo patamar de grandes teatros e salas de concerto do mundo. “É uma mensagem de compromisso com a arte e valorização do artista, mas principalmente para o público que vai aproveitar essa ferramenta cultural por gerações, assim como o primeiro”, resume.

Ele lembra que, além de várias atrações gratuitas durante o ano, os concertos da Orquestra no Guairão continuarão a preços populares, de R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada).

OUTROS INSTRUMENTOS -Outros instrumentos musicais já estão em processo de compra ou a caminho do Guaíra: uma harpa de pedais da marca italiana Salvi (modelo Apollo, com 47 cordas), um órgão eletrônico sampleado da marca italiana Viscount, uma celesta, um cravo, dois contrabaixos de cinco cordas e dois trompetes de rotor, além de um console profissional de luz mais adequado aos novos equipamentos.

“Em 50 anos de carreira, eu nunca vi um investimento como esse. É um patrimônio que o governo do Estado está deixando como legado para a comunidade do Paraná e do país. É um sonho o que está acontecendo aqui”, afirma Tibiriçá.

Ele explica que os instrumentos permitem ampliar repertórios e explorar novas possibilidades sonoras, refletidas diretamente na programação artística da Sinfônica em 2026. O programa foi organizado justamente em torno da apresentação de alguns dos equipamentos, com concertos dedicados a evidenciar suas características.

TEMPORADA 2026 -Os concertos de inauguração do novo piano serão nos dias 12 de março, às 20h30, e 15 de março, às 10h30, no Guairão, sob regência de Tibiriçá e com o consagrado pianista irlandês Barry Douglas como solista convidado. No programa, o Concerto nº 3 para Piano, de Sergei Rachmaninov, e a Sinfonia nº 1 (Titã), de Gustav Mahler. A apresentação também terá participação e homenagem à pianista Analaura.

A programação completa do primeiro semestre da OSP será divulgada depois do Carnaval, no site e redes sociais.

INVESTIMENTOS -O investimento em instrumentos integra um conjunto maior de ações do Governo do Paraná que contempla a reforma, revitalização, adequação e modernização da estrutura do Teatro Guaíra, somando cerca de R$ 50 milhões. O projeto inclui ainda uma nova concha acústica para ensaios e apresentações da Orquestra Sinfônica do Paraná.

“Esse investimento demonstra a forma como o Paraná tem tratado a cultura, com respeito aos nossos corpos artísticos e aos equipamentos culturais, mas isso é para a população. A gente trabalha e investe para que isso aconteça, mas o público responder é nosso objetivo final”, afirma a secretária de Estado da Cultura, Luciana Casagrande Pereira.

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